Olá povo,

Quanta beleza e quanta verdade no discurso de Lupita N´yongo no ESSENCE Black Women in Hollywood, evento que reune várias personalidades negras presentes na mídia americana. Para ler e pensar, e dá pra assistir e sentir a emoção também: http://www.youtube.com/watch?v=ChpriB5ktGg

“Quero aproveitar esta oportunidade para falar sobre beleza, beleza negra, beleza escura. Eu recebi uma carta de uma menina e gostaria de compartilhar apenas uma pequena parte dela com vocês: “Querida Lupita,” ela diz: “Eu acho que você realmente tem sorte por ser tão negra e ainda assim tão bem sucedida em Hollywood, de repente. Eu estava prestes a comprar um creme da “Whitenicious” da Dencia (um creme que promete clarear a pele, até deixaria o link aqui, mas não vale a pena #peloamor) para clarear minha pele quando você apareceu no mapa e me salvou.”

Meu coração sangrou um pouco quando li essas palavras, eu nunca poderia ter imaginado que o meu primeiro trabalho, após a faculdade, seria tão poderoso e que me tornaria uma imagem de esperança, da mesma forma que as mulheres de “A Cor Púrpura” foram para mim.

Lembro-me de um tempo em que eu também me sentia feia. Eu ligava a TV e só enxergava pele pálida, fui provocada e insultada sobre o tom da minha pele, negra como a noite. E a minha única oração a Deus, o milagreiro, era que eu acordasse de pele mais clara. Na manhã seguinte, eu acordava tão animada em ver a minha nova pele que eu recusava a me olhar até que estivesse na frente de um espelho, porque eu queria ver o meu rosto claro primeiro. E todos os dias eu experimentava a mesma decepção de ser tão escura como eu era no dia anterior. Tentei negociar com Deus, eu lhe disse que iria parar de roubar doces à noite se ele me desse o que eu queria, eu obedeceria cada palavra da minha mãe – sentada bem ali – e nunca perderia o casaco da escola de novo, se ele só me deixasse um pouco mais clara. Mas eu acho que Deus ficou comovido com as minhas barganhas, porque Ele nunca escutou.

E quando eu era adolescente, meu auto-ódio cresceu, como acontece durante a adolescência. Minha mãe me lembrou muitas vezes que ela me achava bonita, mas ela é minha mãe, é claro que ela deveria me achar bonita. E então … Alek Wek, apareceu no mercado de moda internacional. Uma célebre modelo. Ela era negra como a noite, ela estava em todas as passarelas e em todas as revistas e todo mundo estava falando sobre como ela era bonita. Até Oprah a achava bonita e fez disso fato. Eu não podia acreditar que as pessoas estavam aceitando uma mulher que parecia muito comigo como uma mulher bonita. Minha pele sempre foi um obstáculo a ser superado e, de repente, Oprah estava me dizendo que não era. Foi confuso e eu queria rejeitar aquillo, porque eu tinha começado a apreciar a sedução da inadequação.

Mas a flor não poderia deixar de desabrochar dentro de mim, quando eu assistia Alek, via um reflexo de mim mesma que eu não podia negar. Agora eu tinha um degrau a cada passo meu, porque eu me sentia mais vista, mais apreciada pelos distantes guardiões da beleza. Em torno de mim a preferência pela minha pele prevaleceu, porém para os cortejadores com quem me importava, eu ainda era vista como feia. E a minha mãe novamente me dizia que você não pode comer beleza, porque ela não te alimenta, e estas palavras me atormentavam e incomodavam, eu realmente não entendia, até que finalmente me dei conta de que a beleza não era uma coisa que eu poderia adquirir ou consumir, era algo que eu tinha que ser.

E o que minha mãe quis dizer quando disse que você não pode comer beleza é que você não pode depender da sua aparência para se sustentar. O que é bonito é fundamentalmente a compaixão que você sente por si mesmo e por aqueles ao seu redor. Esse tipo de beleza inflama o coração e encanta a alma. Foi o que colocou Patsey em tantos problemas com seu mestre, mas também é o que tem mantido a sua história viva até hoje. Recordamos da beleza de seu espírito, mesmo depois que a beleza de seu corpo se foi.

E por isso espero que a minha presença em suas telas e revistas possa levá-la, jovem, em uma viagem semelhante. Que você sinta a validação de sua beleza externa, mas também chegue ao mais profundo objetivo que é ser bonita por dentro.

Não há tons para essa beleza.”

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1 Comentário

Lupita, arrasou no Oscar!!!

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